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Integração para fortalecer parcerias

APSul América chega a 5ª edição com foco na agricultura digital


- Divulgação SR Não Me Toque

A primeira noite do 5º Congresso Sul-Americano de Agricultura de Precisão e Máquinas Precisas (Apsul), foi marcada pelo encontro da Rede Agrícola (Agrarishe Neterkbijeenkomst), promovido pela Embaixada Holandesa.
O evento, - mais uma novidade desta 5a edição -, foi aberto por Bert Rikken, conselheiro agrícola do Consulado dos Países Baixos que apresentou audiovisuais com temáticas sobre a inovação no campo e agricultura circular.
- Na área comercial, é um momento que a Holanda está importando US$ 4,5 bilhões de dólares do Brasil, porém o país compra somente US$ 240 milhões. Ou seja, os brasileiros estão importando 20 vezes menos daquilo que está sendo comprado - pontua Rikken.
Dentre os assuntos tratados, destaque também para a preocupação com a produção do futuro, a modernização na cadeira leiteira e nas indústrias. Rikken ainda destacou que o Brasil poderia abrir um pouco mais os mercados para produtos do exterior.
- Estamos buscando áreas em que o Brasil ou a Holanda possam firmar parcerias e aprenderem em conjunto. Por exemplo, o Brasil está muito mais avançado na área de soja, enquanto os holandeses têm se desenvolvido na produção de verduras - acrescenta.
O encontro reuniu representantes comerciais, pesquisadores, produtores e o público participante do Congresso.
- Estamos aqui para comunicar e não só visualmente. Estou falando da comunicação entre as pessoas, em tempo real. Tenho certeza que momentos como este ajudam neste processo - reforça o conselheiro.

A comunicação como desafio
A frase do economista-chefe do sistema Farsul resume o tom do último Painel "Os desafios do agronegócio gaúcho e brasileiro". Os convidados citaram a carga tributária elevada, infraestrutura deficitária e protecionismo comercial como os principais gargalos de setor.
Segundo dados apresentados por Fabricio Oliveira Justolli, coordenador da agricultura de precisão do Ministério da Agricultura, o principal entrave para agricultura 4.0 passa pela conectividade.
- Sem conectividade, não se faz agricultura digital - comentou, acrescentando que menos de 4% do território brasileiro está conectado. Para Justolli, o índice de conectividade depende do interesse comercial, compartilhado (empresa e governo) e interesse do poder público. Uma das soluções seria a instalação de 2.500 novas antenas, ganhando 25% de território conectado.
Já para o presidente do Sistema Farsul, Gedeão Pereira, o problema do agronegócio passa sim pela comunicação, mas em outra esfera.
- O Brasil está incomodando o mundo por sua competitividade agrícola, e temos que mostrar o que estamos construindo aqui - declarou.
O presidente ainda movimentou a plateia ao questionar: "o que o Rio Grande do Sul significa para o Brasil?" Segundo ele, os gaúchos são a agricultura brasileira, lembrando que 80% dos agricultores trabalhando em outros estados gaúchos estão. Em relação aos desafios do agronegócio, Gedeão citou as questões ambientais, uma vez que o Brasil está sendo desafiado nesse setor, por pressões externas.
Também representando a Farsul, o economista Antônio da Luz citou como grande desafio a redução do custo de produção.
- Somos recordes em custo de produção e temos que enfrentar esse problema - o que para ele implica em superar os gargalos e evoluir nos processos de gestão.
Finalizando o painel, Antônio da Luz comentou que os acordos comerciais construídos ao longo das décadas aproximaram o Brasil culturalmente, mas não financeiramente da União Europeia.
Fabricio Oliveira Justolli, Gedeão Pereira e Antônio da Luz
- A União Europeia é como aquele cliente que reclama de tudo e não compra nada. Já o Brasil não vende para a Ásia, é comprado pela Ásia - comparou Da Luz.
O Apsul América é um evento realizado com o apoio da prefeitura de Não-Me-Toque, em parceria com o Sindicato Rural, Farsul, Universidade Federal de Santa Maria e Cotrijal.

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