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Sistema Farsul em Notícias On line

Boletim Semanal  de 11 a 17 de fevereiro de 2012

Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul

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Farsul sedia seminário regional do Programa ABC

O presidente da FARSUL, Carlos Sperotto, afirmou nessa terça-feira (14/02), na abertura do quarto seminário de Capacitação em Agricultura de Baixo Carbono, na sede da Farsul, que o Brasil tem adotado práticas sustentáveis no setor agropecuário, o que não tem ocorrido em outros países, inclusive entre grandes produtores mundiais de grãos e carnes. “Não vejo em outros países movimentos como o que estamos vendo no Brasil”.  
Sperotto lembrou que 61% do território brasileiro estão preservados com florestas nativas, condição que não é vista em nenhum outro país, e, mesmo assim, o Brasil tem debatido o tema sustentabilidade, investindo em novas tecnologias. O seminário, iniciativa da CNA em parceria com a Embaixada Britânica, também foi realizado em Brasília, Belo Horizonte e Salvador , com o objetivo de difundir informações sobre o Programa de Agricultura de Baixo Carbono  (ABC), do governo federal, que disponibiliza recursos para práticas sustentáveis.
No seminário, o pesquisador José Pereira da Silva Júnior, da Embrapa Trigo, também destacou a posição do Brasil nesse debate e ressaltou que o País tem avançado nas discussões sobre sustentabilidade e preservação ambiental, apesar do “retrocesso mundial”. Segundo ele, “outros países estão abandonando seus compromissos, o que é um retrocesso”. Afirmou, ainda, que “o Brasil não abandonou o debate e tem avançado nesse tema”, referindo-se à decisão de alguns países de anunciarem que não cumpriram as metas estabelecidas anteriormente por meio do Protocolo de Kyoto.
O pesquisador citou o compromisso assumido pelo Brasil durante a Conferência das Partes (COP) 15, de Copenhague, na Dinamarca, de redução das emissões até 2020, entre 36,1% e 38,9%, deixando de emitir 1 bilhão de CO2 equivalente. Para atingir essa meta, foi definida uma série de ações voluntárias, entre elas a redução do desmatamento (de 80% na Amazônia e 40% no Cerrado). Também foram estabelecidas como prioridades a recuperação de pastagens degradadas e a ampliação da eficácia energética.
A proposta de realizar os seminários de capacitação surgiu da demanda dos produtores rurais, que relatavam dificuldades em acessar as linhas de créditos do programa ABC. OS principais impasses citados pelos produtores eram a falta de assistência técnica e o desconhecimento sobre o programa. A proposta da Embaixada Britânica era capacitar 300 pessoas, número que foi ultrapassado com folga, segundo Camila Nogueira Sande, da CNA.

O produtor rural Cláudio Antônio Kellermann, proprietário da Fazenda do Paraíso, localizada no município de Piratini (RS), assinou durante o Seminário, um contrato para financiamento de práticas sustentáveis no valor de R$ 600 mil. Os recursos, oriundos do Programa de Agricultura de Baixo Carbono, serão aplicados na recuperação de pastagens degradadas e na integração lavoura-pecuária.
Com os recursos do financiamento, o produtor pretende comprar vacas, novilhas, formar pastagens e recuperar áreas degradadas, além de construir cochos e cercas. O contrato também foi assinado por Renir Renato Resenhem, do Banco do Brasil. A meta é aumentar em 30% a produtividade da propriedade rural, em 18 meses, segundo o técnico agrícola Cléber Giller. “Estou otimista. Vamos investir nas pastagens e, conforme a orientação do técnico responsável pelo projeto, estaremos melhorando a produtividade por área, aplicando insumos e calcário em terras que nunca tiveram esse cuidado e, ainda, fazer uma pecuária de sustentabilidade”, explicou Kellermann.

O técnico agrícola conta que a idéia é melhorar a área utilizada para a criação, de forma que o gado fique menos tempo no campo, diminuindo assim a emissão de carbono na atmosfera. Cléber conheceu o programa a partir de informações obtidas junto ao Banco do Brasil e, após o seminário de divulgação do programa, já tem novas idéias para implementar na propriedade com os recursos do ABC. “Consegui ver a possibilidade de investir em biodigestores e melhorar a produção de ovinos numa proposta totalmente sustentável”, comemorou.

 

 

 


 Farsul em Campo

* 14.02 A CNA encaminhou ao Ministério do Meio Ambiente documento com uma série de sugestões do setor agropecuário nacional para o Plano Estratégico da Convenção sobre Diversidade Biológica para 2020. Após avaliar as contribuições enviadas pela CNA e por outras entidades, o ministério elaborará uma proposta única sobre o tema. A expectativa é que as metas brasileiras para a biodiversidade sejam apresentadas durante a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que será realizada no Rio de Janeiro em junho deste ano.
Uma das críticas da CNA à proposta  é a contrariedade a dispositivos legais aprovados ou em fase de aprovação pelo Congresso Nacional, ferindo regulamentos existentes como a Política Nacional de Recursos Hídricos, Lei de Biossegurança e Código Florestal. Outra preocupação é com o fato de haver sobreposição de legislação, o que pode acontecer se for mantida a meta que vincula o uso da terra a limites determinados por meio de Zoneamentos Ecológicos Econômicos. A CNA avalia que esses zoneamentos não são suficientes para estabelecer os índices de restrição do uso do solo e substituir as restrições previstas no Código Florestal.
Da forma como está, o plano também representa risco para as cidades e para o campo ao propor que pelo menos 35% da área de todas as bacias hidrográficas seja reservada para conservação da biodiversidade, o que significa, na prática, proibir qualquer atividade nessas áreas, desde agricultura até obras públicas. A CNA argumenta que o Código Florestal Brasileiro em tramitação final na Câmara dos Deputados trata desse tema. Reforça, também, as atribuições dos comitês de bacias para especificar as políticas públicas para cada bacia hidrográfica, considerando as peculiaridades de cada uma delas.
O documento encaminhado pela CNA aponta, ainda, falhas na proposta que prevê a criação de pelo menos 55% de unidades de conservação na Amazônia, sem especificar qual o critério será adotado. A CNA defende que sejam computadas nesse cálculo as áreas que são protegidas na Amazônia na forma de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e de reserva legal, que somam atualmente 142,9 milhões de hectares. Ainda em relação a aspectos fundiários, a CNA critica a proposta de demarcação, homologação e ampliação dos territórios dos povos indígenas segundo as necessidades identificadas por esse grupo.

 

*13.02 O  secretário adjunto da agricultura, Cláudio Fiorezi, participou de almoço com a diretoria da Farsul, na sede da Federação.

 

*15.02 O presidente do Sistema Farsul, e diretores da Federação participaram da interiorização da Farsul em Tupanciretã, com participação das Regionais 3, 6, 12 e 14. Esteve em pauta o Código Florestal Brasileiro que está em tramitação final na Câmara dos Deputados e os efeitos da seca na produção e no endividamento do setor.

 

*15.02 O presidente do Sistema Farsul, Carlos Sperotto, e integrantes da diretoria participaram de reunião no Sindicato Rural de Jóia que discutiu impactos da estiagem e assuntos do interesse do setor. Também estiveram presentes na inauguração do Portal do Parque de Exposição e Remates que leva o nome do ex-presidente, já falecido, Pedro Olinto da Silva.

 

*15.02 Diretores e superintendentes do Senar-RS participaram de web conferência sobre o PRONATEC, programa de capacitação de jovens do governo federal. O Senar nacional assiniu parceira com o Ministério da Educação para participação no desenvolvimento do programa.

*16.02 Integrantes das assessorias econômicas da Farsul, Fiergs, Federasul e Fecomércio, realizaram reunião periódica de avaliação da conjuntura econômica. No encontro na sede da Farsul, o economista do Sistema, Antônio da Luz, apresentou estudo sobre a possibilidade de desagriculturização no RS. A estiagem e os reflexos na economia gaúcha foram o tema dominante do encontro.

 

*17.02 O presidente do Sistema Farsul, Carlos Sperotto, entregou ao Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, durante almoço na Associação Comercial e Industrial de Caxias do Sul, dentro da Festa da Uva, documento pedindo a  inserção da produção irrigada entre os métodos de produção, tecnologias ou medidas priorizadas pelo programa ABC.  A proposta está baseada no princípio de uma maior adequação dos mecanismos disponíveis para o cumprimento dos compromissos internacionais às diversas características do setor agropecuário nacional.  A sugestão encontra amparo de imediato na lei 12.187 de 29 de dezembro de 2009 que institui a Política Nacional sobre Mudanças do Clima – PNMC a qual em seu art. 3º, inciso II, manifesta que na execução da presente política serão tomadas medidas para evitar ou minimizar as causas identificadas da mudança climática. Esta mesma legislação prevê ainda em seu art. 4º,incisos VI e VII, que a Política Nacional sobre Mudanças Climáticas visará a preservação dos recursos naturais bem como a consolidação das áreas legalmente protegidas. Soma-se o fato do art. 6º, inciso XII, da já referida lei, tratar como instrumento da PNMC as medidas existentes que estimulem o desenvolvimento de processos e tecnologias que contribuam para a redução de emissões de gases de efeito estufa, dando inclusive prioridade em processos públicos ou de parcerias público-privadas as propostas que propiciem maior economia de energia, água e outros recursos naturais.  O documento ressalta que tais considerações encontram na agricultura irrigada uma tecnologia, hoje consagrada como processo de produção, capaz de atender plenamente os princípios e objetivos nelas previstos, já que o significativo aumento da produtividade da área, permite de pronto a otimização de todos os recursos utilizados para produção de cada unidade de alimento ou energia por ela gerado.  Pondera ainda que a agricultura irrigada em seu processo produtivo, naturalmente de alta performance, utiliza-se de uma maior quantidade de carbono atmosférico, portanto gera maior sequestro de CO2, bem como, no caso de algumas culturas específicas, proporciona uma fixação biológica de nitrogênio (FBN) em taxas mais elevadas que as observadas em culturas não irrigadas. Também deve ser ressaltado o fato desta elevada produção trazer consigo a geração de maior quantidade de palha a qual consequentemente proporciona ambiente favorável a ampliação do teor de matéria orgânica do solo, o que por si só, independente da cultura sob exploração, significa maior fixação de N2 e CO2 no solo. A alta produtividade gerada neste método de produção promove ainda condições para que a pressão internacional pelo aumento da oferta de alimentos não encontre somente na expansão de áreas agropastoris a solução deste dilema global, estabelecendo-se assim condições favoráveis à conservação ambiental. Se bem observados todos os aspectos descritos a agricultura irrigada estabelece condições da redução da presença de gases de efeito estufa na atmosfera, seja pela otimização no uso de recursos não renováveis (combustíveis, energia elétrica, fertilizantes, etc.), seja pelo maior sequestro de carbono ou fixação de nitrogênio, seja pela diminuição da pressão pela conversão para uso alternativo do solo, e até mesmo maior disposição para recuperação, de áreas de vegetação nativa.

Entende-se, portanto, que a produção agropastoril irrigada trará ao meio ambiente contribuições comparáveis aos demais métodos priorizados no Programa ABC, tanto àqueles que objetivam reduzir as emissões de GEE quanto aos que buscam reduzir a pressão pela supressão de vegetação nativa, bem como colaborará de maneira significativa na garantia de alcance de uma sustentabilidade ecológica, econômica e acima de tudo social da agropecuária brasileira.

 

*17.02 O presidente do Sistema Farsul, Carlos Sperotto; e o superintendente do Senar-RS, Gilmar Tietbhöl, participaram da cerimônica de abertura da Festa da Uva, em Caxias do Sul, com presença da presidente da República, Dilma Roussef.

 

*17.02  O Senar-RS realizou, ao longo da semana, em Teutônia,  Westphalia e Herval, palestras sobre saúde, bem-estar e prevenção de doenças no meio rural, incluindo informações das zoonoses, doenças que passam dos animais para os homens. O roteiro incluiu também abordagem sobre Saúde da Mulher Rural em São Sepé. As palestras do Senar podem ser solicitados em qualquer município gaúcho de forma gratuita, por meio dos Sindicatos Rurais.

 

*17.02 A Assessoria Econômica da Farsul divulgou novo levantamento do Núcleo de Acompanhamento da Seca elaborado a partir dos dados informados pelas 13 regionais da Federação. A queda na safra aumentou para 36%, com a produção estimada em 16.144 milhões de toneladas contra a previsão incial de 25.078 milhões de toneladas. No levantamento anteior, divulgado em 03/02, a perda era de 30%.

Na lavoura de arroz, a quebra é de 14%; no fumo, 19%; no milho, 55% e na soja, 40%.

No Valor Bruto de Produção (VBP) Agrícola as perdas financeiras em decorrência da seca somam R$ 5.668 bilhões.

O impacto no Valor Bruto da Produção somando agropecuária, indústria e serviços, atinge R$22.395 bilhões.

O impacto no PIB dos 3 setores soma R$ 16.107 bilhões.

No emprego, estão em risco 842 mil postos de trabalho nos 3 setores.

Na arrecadação de ICMS a queda é de 6,92% em relação ao total de 2011, o equivalente a

R$ 1,2 bilhão.

O economista do Sistema Farsul, Antônio da Luz,  disse que a chuva ocorrida no final de janeiro e início de fevereiro,  estancou as perdas por 3 semanas, mas a situação se agravou. “Agora há perdas significativas em regiões onde até então estavam controladas, como na região de Carazinho”, informou Antônio.  Segundo ele, se a previsão de chuva na próxima semana se confirmar em boa intensidade, as perdas podem estabilizar, mas não serão revertidas.

 


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